Setembro amarelo: saúde mental também deve ser trabalhada nas escolas

19 set, 2019 | Publicado por Líder em Mim

No calendário de cores do Ministério da Saúde, o Setembro Amarelo destaca a importância de se trabalhar a prevenção ao suicídio. Todos os anos, são registrados cerca de 12 mil suicídios no Brasil e um milhão no mundo. Essa é uma triste realidade, com números que crescem, inclusive entre os jovens. Apesar de não ser um tema fácil de ser trabalhado, diante desse cenário, as escolas têm assumido importante papel. Elas também tornaram-se local para o desenvolvimento da prevenção de transtornos mentais. Isso, através de uma percepção mais clara dos anseios de seus alunos e seus respectivos pais.

Para embasar o conteúdo no ambiente escolar, é fundamental entender o que tem acontecido. O número crescente de casos de transtornos mentais entre jovens se dá por diversos fatores. Eles vão desde o acesso mais fácil aos serviços de saúde mental e, consequentemente, de diagnóstico, a uma mudança na forma como as pessoas interagem entre si.

Saúde mental e a construção da personalidade

Atualmente, os meios de comunicação e suas possibilidades de interação, embora nos permitam falar, em tempo real, com qualquer pessoa em qualquer lugar, também criam uma espécie de parede invisível. Essas paredes nos isolam daqueles próximos a nós. Isso traz dificuldades de compreender o outro e de se colocar em seu lugar. Essa condição pode caracterizar um adoecimento mental e a privação de experiências essenciais. Perde-se a capacidade de sentir empatia, a resistência a frustrações, entre outros elementos que contribuem na formação da personalidade.

Isolamento e a privação de experiências essenciais

Isolamento e a privação de experiências essenciais

Essa falha na construção da personalidade representa uma das portas de entrada para uma série de doenças mais graves, dentre elas a depressão.

Vale destacar um ponto muito importante nos quadros de depressão. Nem sempre ela anda junto com a tristeza profunda. Uma pessoa depressiva pode mostrar-se alegre e sorridente. Essa característica dual, aliás, aliada a baixa interação humana, que já faz parte do nosso contexto social, acarreta a grande incidência de casos de suicídio. Aparentemente, as vítimas não apresentavam indícios que cometeriam o ato. Contudo, na verdade, todos os indicativos estavam presentes, mas não eram devidamente observados.

A importância da escola

Cada vez mais, a escola expande seu papel de formação educacional. Ela passa a ser vista também como o local de construção de processos de interação social e desenvolvimento da personalidade dos alunos. Essa percepção é tão clara que a nova BNCC a entrar em vigor em 2020 inclui na formação dos estudantes o trabalho de habilidades e competências socioemocionais.

Muito mais do que acolher, a escola atua no processo de mudança de paradigmas e na promoção de interações interpessoais saudáveis. Dessa forma, passa a promover ações que permitam a formação de uma personalidade mais equilibrada. Como resultado, forma jovens com menor predisposição ao adoecimento psíquico.

Escola, espaço para interação social

Escola, espaço para interação social

Outra característica importante nesse papel da escola é justamente por ser um espaço onde as crianças e adolescentes passam boa parte do seu dia. Ali, a maior parte dos elementos que se configuram como indicadores de que algo não vai bem com a mente do aluno podem ser percebidos.

Como trabalhar o tema

Uma boa forma de trabalhar o tema na escola é implementando ações de prevenção. Pense na ideia de realizar  palestras e mesas redondas. Momentos como o Setembro Amarelo representam ótimas oportunidades de abordar o assunto.

Igualmente importante é combater outros fatores que podem desencadear as ideações suicidas. Como exemplo, há o bullying, o uso de substâncias psicoativas, os comportamentos de risco (redes sociais, encontros com desconhecidos, etc.) e as diversas formas de abuso.

Para reduzir ou inibir esses fatores, diversas competências socioemocionais podem ser trabalhadas. Entre elas, estão a autogestão, autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação, bem como autonomia e responsabilidade. Essas são competências que dão um norte de prevenção de alterações comportamentais que possam levar ao suicídio. Mais além, com elas, a escola estabelece um ambiente seguro. Assim, o aluno consegue desenvolver seu caráter e sua personalidade de forma saudável.

O ambiente escolar, aliás, vale destacar, faz toda a diferença. Os educadores devem conduzir metodologias e projetos pedagógicos que garantam aos alunos se sentirem livres para expressarem suas emoções e interagirem uns com os outros a partir de princípios como dos hábitos “Pense ganha-ganha”, “Compreender para depois ser compreendido” ou “Crie sinergia”. São princípios que podem ser encontrados e bem trabalhados no programa Líder em Mim.

A proposta desse programa representa uma excelente ferramenta para escolas e educadores trabalharem no processo de prevenção e até mesmo de recuperação de crianças e adolescentes que sofrem e que precisam de ajuda.

Ambiente escolar: emoções sentidas e aprendidas

Ambiente escolar: emoções sentidas e aprendidas

É através da voz ativa dos alunos que a escola vai encontrar o melhor caminho para trabalhar um tema tão controverso, mas de extrema importância como é o suicídio. Claro, é preciso ressaltar que é sempre fundamental que a escola esteja junto com as famílias e, quando necessário, oriente que se busque ajuda médica profissional. Essa parceria entre escola e família pode ajudar a frear esse triste número que cresce ano após ano.

Mais informações sobre a campanha Setembro Amarelo? Clique aqui.

Quer saber mais sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)? Acesse: https://www.olideremmim.com.br/olem_blog/de-olho-na-bncc/

Fotos: Reprodução

 

 

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