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4 princípios da Comunicação Não Violenta (CNV) para a educação

30 out, 2020 | Publicado por Líder em Mim

“Amigo, para mim, é só isto, a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual a igual, desarmado”, assim escreveu o escritor Guimarães Rosa no clássico Grande Sertão Veredas. Este pequeno trecho, com toda a magia da literatura, pode expressar muito bem o que foi teorizado como Comunicação Não Violenta (CNV) pelo psicólogo Marshall Rosenberg.

Neste artigo, vamos entender melhor sobre esse conceito e como ele se aplica no âmbito da educação cognitiva e socioemocional.

Vamos lá?

Comunicação desarmada

Você já sentiu que precisou criar uma defesa ao conversar com alguém? Há momentos em que a conversa parece mais um debate caloroso do que um diálogo amistoso? É bem provável que a resposta seja sim.

Leia também: Como o socioemocional pode atuar na comunicação online?

Muitas vezes entendemos que uma resolução de conflitos ou conversas sobre temas mais complexos é sinônimo de briga, o que resulta em uma comunicação que já vem armada, com proporções desiguais – ou seja, violenta.

No contexto da obra de Guimarães Rosa, o autor compreendeu que os diálogos que contrapõem à essa violência são conversas cabíveis para amigos. Anos mais tarde, na década de 1960, o fundador do The Center for Nonviolent Communication (Centro para Comunicação Não Violenta), sistematizou essa abordagem de comunicação como uma rica contribuição para as relações humanas.

Livro do psicólogo criador do termo CNV (Foto: Reprodução)

A CNV trata-se de uma técnica para promover uma comunicação mais eficaz, objetiva e que gere empatia. Baseando-se em habilidades de linguagem que estimulam a compaixão, tem como premissa a necessidade de empatia com nós mesmos e com os outros, mesmo em situações de conflito. 

Esse tipo de comunicação ressona em muitos aspectos trabalhados nas competências socioemocionais, confira a seguir!

Hábitos positivos para a comunicação

Dentre os 7 hábitos altamente eficazes trabalhados pelo Líder em Mim, é possível destacar 3 que podem ser usados para desenvolver a CNV. 

1) Pense ganha-ganha

Ao estimular o benefício mútuo, especialmente em situações de conflito, o hábito ‘pense ganha-ganha’ também trabalha na comunicação em que ninguém precisa sair perdendo, mesmo quando de imediato está sem razão. A ideia aqui é um aprendizado contínuo.

2) Procure primeiro compreender, para depois ser compreendido

Este hábito desenvolve justamente a compreensão mútua e o diálogo com respeito. Ouvir antes de falar. Entender antes de ser entendido.

3) Crie Sinergia

Criar sinergia consiste na cooperação entre os indivíduos para objetivos em comum. Trata-se do equilíbrio entre as diversidades e a humildade para entendê-las. Muitos dos conflitos têm como origem as divergências. A sinergia não irá atenuar as diferenças, mas pode dar uma melhor sintonia para lidar com elas. 

É preciso trabalhar a CNV com os jovens

Agora que contextualizamos com o mundo socioemocional, vamos conferir como os princípios da CNV desenvolvidos pelo psicólogo americano podem aprimorar ainda mais a eficácia da comunicação na educação e em todas as esferas da vida. 

Os quatro pilares da CNV

1) Observação

Observar, e não julgar. Aqui, a ideia é que um fato seja analisado primeiro a partir de nossas observações imparciais, principalmente nas discussões. 

Por exemplo, ao invés de interpretar o que o outro disse ou fez com base nas suposições sobre o que ele quis dizer ou fazer, observar, de fato, o que ele fez ou falou.

2) Sentimentos

Identificar os sentimentos que surgem em determinada situação e assumir a responsabilidade por eles. 

Após observar as atitudes e palavras que causaram o conflito, é importante olhar para dentro de si e entender o que elas te fazem sentir.

Por exemplo, se você quiser ser ouvido por um sentimento de raiva, tristeza ou medo, fale sobre esses sentimentos e não sobre as ações do outro. Para ser mais específico: imagine que alguém foi de alguma forma grosseiro com você. Ao invés de dizer “estou achando você muito grosso”, diga “fico triste com essa forma grossa de você falar comigo”. As chances de uma comunicação não violenta nessa direção são muito maiores.

Leia também: Gerações Z e Alpha: Uma nova educação?

3) Necessidades

Identificar, então, quais necessidades não foram atendidas e como elas estão ligadas aos sentimentos percebidos anteriormente. 

Quando os sentimentos são identificados e nomeados, é mais fácil trabalhar o que falta e, desse modo, o que é necessário. 

Por exemplo,  analisemos a situação anterior.  A tristeza sobre a grosseria do outro consiste numa necessidade de ser tratado ou tratada com gentileza. Afinal, a sensação de ser atacado por atitudes ou palavras podem desestabilizar alguém, principalmente uma pessoa mais sensível. 

4) Pedido

Fazer um pedido ao invés de dar uma ordem. Trata-se do pilar que une os anteriores. 

Ao compreender o que precisamos, podemos então pedir ao outro o que é importante para que as nossas necessidades sejam atendidas.

Em resumo, funciona da seguinte forma: comunicar ao outro o que observamos, explicar o que sentimos a partir das palavras e atitudes e observadas e, por fim, pedir o que é necessário sobre o que nos falta.

A CNV, dessa forma, promove uma conexão com o outro. Ao utilizá-la no cotidiano, fica mais fácil notar a diminuição de conflitos nos relacionamentos.

Ao trabalharmos também com mais afinco na educação, o desenvolvimento da CNV pode semear nos jovens o respeito e a empatia em todos os seus gestos, palavras e ações!

Comunicação Não Violenta melhora as relações entre todos

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Fotos – Freepik, Unsplash e Divulgação

 

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