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Cultura do cancelamento e a responsabilidade socioemocional

11 ago, 2020 | Publicado por Líder em Mim

O mundo está cada vez mais intolerante com a intolerância. Afinal, muito da evolução da sociedade tem como reflexo antigos costumes sendo desconstruídos.  Hoje, ao dizer ou fazer algo considerado moralmente condenável, ofensivo ou preconceituoso, há grandes riscos de ser “cancelado”.

Se antes o verbo “cancelar” se referia apenas a eventos ou serviços, agora a palavra ganhou uma conotação voltada para pessoas. Com essa nova onda de “cancelados”, constituiu-se o que é chamado de “cultura do cancelamento”.

O que o ensino-aprendizagem das competências socioemocionais podem nos orientar sobre essa cultura nova? Acompanhe na leitura deste artigo!

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Ser ou não ser cancelado?

Cancelar alguém (ou ser cancelado) é um fenômeno que ganhou força nas redes sociais – em especial com figuras públicas. Trata-se de boicotar uma pessoa (ou às vezes uma instituição) que agiu de maneira considerada ofensiva.

Para citar exemplos, piadas machistas e racistas já não têm vez no mundo atual. Os internautas são, ao mesmo tempo, os julgados e aqueles que julgam. Ou seja, um comentário em uma rede social com um tom condenável pode entrar na linha do cancelamento. Por isso, quanto maior alcance social a pessoa tiver online, mais as chances dela ser cancelada. 

Como acontece o cancelamento?

E como acontece esse “boicote” social? Quando na internet, devido às possibilidades de interação e de resposta dinâmicas, é rápido o processo de reagir a algo que desagrada. Começa em uma rede social, como principal exemplo o Twitter, onde gera uma onda de críticas e comentários. E, então, quando se trata de um famoso, a imprensa noticia o fato, o que faz com que o ‘cancelado’ da vez passe por uma necessidade de retratação – que, em muitos casos, não é aceita pelos críticos.

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Essa cultura ganhou notoriedade após o movimento #MeToo, em 2017, que foi uma série de denúncias de assédio sexual contra homens poderosos que se espalhou pelo mundo. Carreiras de homens cancelados foram interrompidas, o que demonstrou a força do movimento. 

cancelado pelo metoo

Movimento #MeToo reforçou a cultura do cancelamento

Apesar de ser um grande indício de que o mundo se transformou e é cada vez mais um lugar que não tolera preconceito e desrespeito de nenhuma forma, o ato de “cancelar” pessoas nem sempre é a melhor saída. Por se tratar de um fenômeno recente, é preciso cautela e entendimento sobre esse jeito de lidar com o comportamento humano. Quais os limites? O que é cabível de ser cancelado ou não? Como fazer esse julgamento? 

Não temos como dar respostas fixas em um debate tão novo, complexo e cheio de nuances. No entanto, a educação socioemocional nos dá algumas dicas sobre responsabilidade coletiva. Entenda mais acompanhando esta leitura!

O didatismo socioemocional

Para começar, podemos dar uma olhada nos 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, a base para o programa pedagógico do Líder em Mim. Em um desses hábitos, temos uma boa dica para as perguntas feitas anteriormente:

Hábito 5: Procure primeiro compreender, para depois ser compreendido 

É um hábito que, em resumo, demanda criatividade, cooperação, diversidade e humildade. Indo mais a fundo, temos também as seguintes competências socioemocionais cobradas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC):

Autonomia e responsabilidade,

Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação para tornar decisões com base em princípios democráticos, inclusivos, solidários e sustentáveis

Empatia e cooperação

Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação para fazer-se respeitar-se e promover o respeito ao outro, aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade, sem preconceitos de qualquer natureza.

Responsabilidade socioemocional é cobrada nas escolas

E o que exatamente essas competências podem orientar a respeito da cultura do cancelamento? É o que vamos analisar a seguir.

Consciência social

Por se tratar de uma temática complexa, é preciso, primeiro, diferenciar os casos: o que se trata, de fato, de um crime – como aqueles expostos pelo #MeToo – e o que se trata de um conflito de discursos e opiniões que têm como base diferentes vivências. 

O debate aqui, portanto, gira em torno do segundo tipo de casos. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais consiste justamente em entender e lidar com essas diferenças. É o respeitar a si mesmo e o outro – e sobre como respeitar. É também o diálogo – e sobre como dialogar. 

Em manifesto publicado na Harper’s Magazine, escritores e intelectuais como Noam Chomsky e J.K. Rowling escreveram sobre os perigos dessa cultura do cancelamento. Eles destacam na carta aberta que “o melhor modo de derrotar más ideias é pela exposição das ideias, a discussão e a persuasão, não por tentativas de silenciá-las ou simplesmente desejar que não existissem. Rejeitamos qualquer escolha falsa entre justiça e liberdade, que não podem existir em separado.”

Cancelado e cancelados

Crítica e responsabilidade coletiva

Existem casos de pessoas que, ao expor ideias e pensamentos, não fazem ideia dos erros que cometem com determinados tipos de manifestações. O que se dá por vários motivos, dentre eles, o principal: a educação que a pessoa recebeu. Desse modo, ao ser rechaçada na internet, muitas vezes a punição vem como nova forma de educar – o que nem sempre é uma forma respeitosa e efetiva, afinal, tem muita coisa que não sabemos sobre o porquê das pessoas agirem como agem. 

Responsabilidade socioemocional

É também necessário analisar que uma fala e uma ação não definem uma personalidade, uma história. Os atos de uma pessoa em determinado contexto não definem o que elas são. Ou seja, é preciso fazer a diferença entre criticar as ações e não a pessoa como um todo. 

A cultura do cancelamento leva toda a situação para o nível mais alto de conflito possível, onde até mesmo pessoas associadas ao objeto ou indivíduo ‘cancelado’ também são canceladas.

É o caso de dialogar, ter paciência e compreensão. Todos têm a oportunidade de aprender e refletir. Bem como manifestar críticas com consciência e responsabilidade coletiva. 

Mundo melhor

A cultura do cancelamento pode gerar debates sobre racismo, preconceitos por conta de classes sociais, xenofobia, homofobia, entre muitas outras intolerâncias.  No entanto, até o ato de cancelar também precisa ser debatido e dialogado. É necessário para um mundo com pessoas cada vez mais respeitosas e acolhedoras. 

Faça desse mundo um lugar melhor!

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Fotos – Unsplash, Pixabay e Divulgação

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