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Um novo tempo na comunicação do professor

30 set, 2020 | Publicado por Líder em Mim

Entre tantas mudanças provocadas pela pandemia, uma das que já tem trazido uma enorme transformação diz respeito à comunicação do professor com seus alunos. Sem dúvidas, essa alteração obrigatoriamente aconteceu pela necessidade de inserir ferramentas tecnológicas e digitais que possibilitassem a manutenção do relacionamento. Contudo, mesmo quando as aulas presenciais retornarem, tudo será diferente. A partir de agora, o Blog Líder em Mim vai aprofundar um pouco mais esse tema, dando luz a essa transformação. Juntos, vamos compreender o que muda, como muda e as vantagens que essas mudanças podem trazer para o processo de ensino e aprendizagem. Vamos nessa?

Professor também é aluno

Uma das mais profundas mudanças nesse novo tempo de comunicação do professor pode ser considerada, justamente, uma das mais benéficas para o processo do ensino e aprendizagem. A pandemia impôs ao professor também tornar-se um aluno. As mudanças necessárias para adaptação ao ensino online, por exemplo, fizeram com que o professor passasse a perceber que também é um aprendiz. Afinal, ele precisa se redescobrir e aprender a trabalhar de outra forma.

Esse é um momento muito interessante para a nossa educação. Professores que desejam aproveitar a oportunidade para esse importante aprendizado devem abdicar de qualquer zona de conforto. Um ponto relevante nesse processo é saber que não existe domínio completo de sua arte. Sim, pois, ensinar é mesmo uma arte e que está em constante e permanente aprimoramento. Isso, inclusive, faz com que essa profissão esteja acompanhada de comprometimento afetivo. Para tanto, agora, mais do que nunca, entra uma palavra muito conhecida no universo socioemocional: EMPATIA. A comunicação entre professor e aluno nesse novo tempo pede empatia. Ou melhor, exige!

Paixão por ensinar e por aprender

É essa virtude, a empatia, que ajudará na melhor condução desse tão importante relacionamento para a formação do indivíduo. Ela serve para ambos os lados. Ou seja, tanto do lado do professor, ao entender a mudança brusca e repentina sofrida pelo aluno, quanto do lado do aluno, compreendendo também o momento de adaptação a que o professor teve que se submeter.

A empatia ganha ainda mais força quando observamos que pais, famílias e responsáveis passaram a ter de acompanhar uma rotina escolar de perto. Isso aconteceu não apenas em lares onde pais que não eram professores tiveram que fazer um pouco desse papel. Aconteceu, também, nos lares onde professores que também são pais, de alguma forma, tiveram que estar nos dois papéis ao mesmo tempo.

Professor deve ter paixão por ensinar e também por aprender

Professor deve ter paixão por ensinar, mas também por aprender

Comunicação em construção

Diante desse cenário, então, como proceder? Para responder a essa pergunta, é fundamental termos em mente que a comunicação nesse novo tempo não é algo pronto, de prateleira. É um processo de construção coletiva.

Do lado da escola, é preciso considerar que a nossa educação ao longo de muitos anos não priorizou a autonomia dos alunos. A educação também não usava o digital como ferramenta de ensino ou de estudo. Ao contrário, muitas vezes, até negava a possibilidade do aluno usar uma ferramenta tecnológica. Inclusive, era comum ver o próprio professor também se negar a fazer uso delas em seu dia a dia profissional.

Do lado dos pais, o cenário não é diferente. Ninguém estava preparado para, além das preocupações de manter o emprego, a renda para sustentar a família e cuidar de casa, ainda ter que acompanhar as atividades escolares dos filhos. Aqui, vale mais um fator de ambiente. Momentaneamente, o local teve que ser compartilhado, uma vez que muitos pais estão trabalhando em regime de home office, enquanto seus filhos utilizam simultaneamente o mesmo espaço para estudar.

Como toda construção e processo de mudança, o caminho é marcado por ajustes e adaptações. Está aí implícito, portanto, que não será perfeita. Mais além, demandará um esforço conjunto para que essa educação cheia de imprevistos e de forma remota aconteça da melhor forma possível para todos os envolvidos.

Tecnologia e educação: parceiras na comunicação nesse novo tempo

Educação e tecnologia: parceiras na comunicação nesse novo tempo

Hora de entender e estreitar vínculos

Tem muita gente que trata qualquer processo de mudança como algo perturbador. Mas, ainda que cause certa bagunça, o momento deve ser visto como excelente oportunidade para entendimentos, redescobertas e avanços. Especificamente no tema comunicação, essa é a ocasião propícia para reforçar os vínculos entre professores, pais e alunos, de forma mais positiva e verdadeira. Até então, essa relação era mais de acompanhamento escolar. Agora, deve ser de participação da construção de autonomia do aluno.

Contudo, para essa construção conjunta se dar de forma plena e bem sucedida, existe uma jornada. O primeiro grande passo é entender a comunidade onde a escola está inserida. Assim, é possível pensar nas melhores estratégias e medidas para atender bem a esses alunos. Isso amplifica a comunicação e contribui bastante a transmissão do ensino e aprendizagem para um lado e para outro. Tudo de forma saudável e eficaz. Veja, aqui EMPATIA é, novamente, destacada.

É preciso, também, ter clareza que nem professor e nem família devem fazer cobranças excessivas de produtividade. Isso vale para cobranças do professor para aluno e família, e vice-versa. Trata-se de um grande avanço de um olhar para o outro, quando pensamos em educação e formação de pessoas. É uma relação que precisa ser considerada e que acontece entre pessoas. E como pessoas, como seres sociais, precisamos entender o lugar do outro. Não é possível exigir que as coisas fiquem como estavam antes da pandemia. Por isso, não se deve criar qualquer expectativa nesse momento, de qualquer parte.

Respeito ao tempo

Outro ponto muito importante nesse novo momento de comunicação entre professor e aluno é o tempo diferenciado no ensino remoto em comparação ao tempo existente no ensino presencial. Ele precisa ser muito bem cuidado, porque a estrutura é outra e o nível de atenção do aluno também é outro.

O professor deve ter muita clareza dessa peculiaridade. Claro, tanto quanto os alunos devem ter, para que ele possa tomar para si o empoderamento da responsabilidade de buscar cada vez mais o foco numa condição remota de aprendizagem.

Nesse sentido, a tecnologia tem sido a melhor ponte na comunicação entre professor e aluno. Verdade, o professor teve que voltar a ser aluno para aprender a usar as diversas ferramentas. Junto com os alunos, aprendeu e segue aprendendo a se adaptar a essa dinâmica nova de comunicação. Tudo acontece com a necessidade de olhar diferenciado, de respeito a um tempo que é diferente do tempo presencial. Mais além, tudo acontece num novo espaço e ambiente.

Essa comunicação atual requer respeito ao tempo, que é diferenciado

A comunicação atual requer respeito ao tempo, que é diferenciado

Leia também: Como o socioemocional pode atuar na comunicação online?

Mudança de paradigmas

Diante desse contexto, o que se tem claro é o acontecimento da mudança de paradigma na comunicação entre professor e aluno. O momento tem exigido o repensar da educação, introduzindo conceitos novos. Trata-se de uma oportunidade para avaliar e construir novos caminhos para a escola e para a educação. Enfim, é chegada a hora de se renovar.

O fato de o professor começar a perceber que também precisa ser um eterno aprendiz é outro sinal. Ele não pode mais se considerar o dono absoluto do saber para dar aula. Ele precisa enxergar seu aluno não mais como um ser passivo diante do educador. Mas, como um estudante, a quem deve ser desafiado a construir autonomia de aprendizagem.

Mais além, nessa comunicação de novos tempos, ao professor também cabe a missão de descobrir como é que seu aluno aprende, de que maneira ele constrói melhor o aprendizado. Esse cuidado representa mais um dos inúmeros desafios que o professor precisa transpor para se permitir praticar o novo olhar. Um olhar que passa a valorizar mais o processo e o esforço do que propriamente o resultado. Trata-se de uma enorme fase de adaptação escolar. Nesse sentido, a comunicação fará a ponte para facilitar todo o processo. Ela contribui, inclusive, para a criação de sinergia com alunos, bem como os colegas de trabalho e até mesmo com a família dos estudantes. Tudo isso tem sido vital na continuidade do exercício bem sucedido da profissão de professor.

E para quem volta às aulas presenciais?

Para os professores que, aos poucos, retomam as aulas presenciais, a comunicação com o aluno deve seguir os mesmos parâmetros. Dessa forma, a empatia deve ser o fio condutor na relação aluno / professor. O momento é de acolher, deixar de lado qualquer expectativa, ouvir e buscar uma comunicação afetiva.

Volta das aulas presenciais também terá adaptações na comunicação

Retomada das aulas presenciais também terá adaptações na comunicação

Assim como na comunicação online, na presencial, o tempo também deve servir como termômetro para sentir a turma. Tudo para que os alunos voltem a se ambientar e gradualmente. Mais além, também possam voltar o foco ao conteúdo escolar. Não tenha pressa de nada, compreenda que a comunicação nesse momento é o elo mais importante entre vocês.

Atenção para os ruídos

Para quem retorna ao ensino presencial, não há como deixar de destacar uma peculiaridade que pode provocar algum tipo de ruído na comunicação. Nesse momento, temos como prováveis ruídos os aparatos de segurança sanitária. Máscaras, protetores faciais e outros equipamentos de proteção individual fundamentais para a prevenção e combate à pandemia do novo coronavírus podem representar algum obstáculo na comunicação entre professor e aluno.

Professores devem ter atenção sobre isso, principalmente aqueles que trabalham com crianças em fase de alfabetização. Contudo, esses ruídos podem ser facilmente superados com os mais diversos recursos que os educadores têm em sem favor para o processo de aprendizagem. Gravações, ilustrações, leituras mais lúdicas e mais representadas pelo próprio professor são algumas ideias para superar esse obstáculo que pode sim atrapalhar as crianças nesse momento tão importante de conhecer, aprender e dominar seu alfabeto. Use a criatividade e, mais uma vez, tudo o que é recurso tecnológico para substituir a dicção que pode ser um pouco afetada.

Para os professores que atuam com as demais idades, o ruído pode existir não só dele para com o aluno como o caminho oposto também. Porém, nada que não haja tempo de se resgatar em outro momento. Tente, ao final da aula, buscar um feedback dos estudantes para certificar-se de que o conteúdo foi integralmente compreendido. Se precisar, invista mais tempo num reforço. E, como os professores da educação infantil, não deixe de usar a criatividade e os mais diversos recursos para se comunicar. Afinal, além de facilitar a transmissão da mensagem, as novas formas de comunicação destacadas nesse novo tempo podem estimular crianças e jovens ao uso de outros sentidos. Esse avanço é extremamente favorável para a aprendizagem.

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Fotos – Unsplash

 

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