Burnout na Educação

Líder em Mim

9 de junho de 2021

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Focar no bem estar da equipe é uma das implementações mais positivas para a cultura escolar, mas muitas vezes é deixado de lado na lista. Entretanto, mesmo antes da pandemia do COVID, professores de todo o mundo vêm sendo diagnosticados com burnout e estresse.

Agora, com mais de um ano na pandemia, não conseguimos negar os impactos negativos causados. E precisamos desenvolver estratégias e práticas para manter uma equipe saudável em todos os sentidos possíveis. 

Gestores escolares devem se importar com cada ponto específico de uma espaçonave que já decolou faz tempo. É preciso apertar parafusos fora de órbita e entender se tudo está funcionando bem. E nossa equipe é a tração e o motor de nossa escola, por isso devemos voltar atenção constantemente a cada um deles.

Mas antes, vamos entender o que de fato é esta doença que tem afetado milhares de educadores.

O que é o Burnout?

Burnout é um estado de estresse crônico que pode levar a: Exaustão física e emocional; Cinismo e desapego; Sentimentos de ineficácia e falta de realização.

No esgotamento completo, você não é mais capaz de “funcionar” efetivamente em um nível pessoal ou profissional. 

E o burnout não acontece de repente. Você não acorda numa manhã e, de repente, se sente esgotado. O burnout vai se desenvolvendo e crescendo ao longo do tempo, o que torna muito mais difícil de reconhecer. Ainda assim, nossos corpos e mentes nos dão avisos, e se você souber o que procurar, poderá reconhecê-lo antes que seja tarde demais.

Mas, como podemos ajudar nossa equipe diante de problemas como esse?

Por onde começar?

Faça uma lista com cada membro de sua equipe e realize constantemente uma pesquisa baseado em 3 indicadores do Burnout:

  • Sua equipe parece exausta? Isso pode aparecer durante conversas e observação sobre como as pessoas têm se sentido. Eles aparentam cansaço ou sem energia? Todos nós podemos nos sentir cansados em alguns momentos, mas a exaustão é um indicador psicológico e físico de problemas crônicos, como estresse ou ansiedade. 
  • Sua equipe se mostra indiferente a certos assuntos? Esse indicador pode ser observado através de níveis de engajamento. Eles podem parecer distantes ou desengajados durante interações com equipe ou alunos. Alguém lidando com a indiferença e falta de vontade responde de forma diferente a oportunidades e desafios; 
  • Você percebe alguns indicadores de que algum membro da equipe tem se mostrado ineficiente? A ineficiência pode ser percebida na maneira como eles falam sobre suas habilidades para vencer novos desafios ou superar obstáculos. Pode parecer que esses estão incapazes de completar obrigações e a realidade é que não se sentem confiantes para desenvolver práticas que exigem suas habilidades.

E se eu não conseguir perceber isso?

Converse com sua equipe, e tenha certeza do desenvolvimento de práticas de escuta empática. 

O que vem depois?

Existem muitas coisas a serem feitas, até mesmo durante a loucura causada pelo coronavírus. Aqui vão algumas práticas e estratégias para solucionar este problema:

  • Comece de dentro para fora. Existem muitas coisas fora de nosso controle, pessoalmente e profissionalmente. Nossos corpos estão extremamente sintonizados com nossas mentes, e muitas questões acabam sendo interpretadas como doenças ou problemas físicos. À medida que continuamos a trabalhar mesmo estressados, podemos criar um sentimento negativo e altamente contagioso para a equipe. 

Se você se vê estressado, apático ou exausto, consequentemente sua equipe está mais suscetível a absorver esse sentimento. Então, antes de tomar qualquer atitude para ajudar seu time, comece por você 

  • Algumas ideias para começar: Existem inúmeras pesquisas que comprovam o poder positivo do “mindfulness” para educadores. Mindfulness é o exercício de se concentrar no momento presente, mantendo uma constante consciência do agora – nossos sentimentos, emoções, desconfortos, ambiente. Traga esse tipo de prática para sua equipe e veja os resultados. 

Mindfulness pode vir em vários formatos, mas o que todos têm em comum é o desenvolvimento da habilidade de estar mais atento aos sentimentos e emoções para assim reduzir o impacto delas sobre nós mesmos. 

  • Normalize emoções. Nós temos uma cultura, especialmente na educação, de colocar os outros em primeiro lugar e negar o ato de compartilhar emoções negativas para evitar inconveniências. Precisamos normalizar o falar sobre o que estamos sentindo. E como fazemos isso? 
  • Aqui vão mais algumas ideias: Crie um check-in de emoções diárias. 

O “sentimentômetro” é uma outra opção. É uma forma poderosa porque combina emoções com energia. 

  • Quando nosso time vê que o gestor se esforça para mostrar que está tudo bem não estar bem, sentirão um grande alívio. Mas também não faça dessas atividades obrigatórias. Deixe um espaço para aqueles que não se sentem confortáveis. A tranquilidade e falta de cobranças podem fazê-los até mesmo participar num futuro próximo.
  • Relacionamentos importam. Diversos estudam demonstram a importância de se relacionar e de criar ambientes agradáveis para se trabalhar. É tão importante quanto qualquer outra prática administrativa da escola/empresa; É aquilo que assegura o bem estar de todos.

Não podemos dizer a nós mesmos que temos a obrigação de estar bem. E a lista de afazeres nunca se encurtará. O importante é continuar fazendo o que fazemos e observando nós mesmos e cada um ao nosso redor. Nós não escolhemos a educação porque seria fácil, e sim porque sabemos a capacidade que ela tem de mudar vidas e mundo.

Conecte-se e encoraje os que estão próximos a você. E lembre-se, a mudança começa em você!

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